Faith no Marketing

Fã é Fã sempre: FNM e Palmeiras
Em 1990 eu tinha 12 anos, a MTV Brasil surgiu com muita música e clipes, era um momento mágico, não havia internet e celulares. Ouvir música soava meio como um garimpo, onde alguém te falava de alguma banda ou na rádio você ouvia algo e ia pesquisar, em bibliotecas públicas ou comprava a Bizz, Rock Brigade, Dynamite, etc.


A MTV era muito diferente do que é agora, era música o tempo inteiro e ela trouxe o movimento dos artistas gringos, existiam programas de clipes, como o Clip Trip na Gazeta, mas ou assistia naquela hora ou já era, na MTV não, assistia até ela sair do ar (as TVs não eram 24h).

Estava no fim do 1° Grau e lá comentavam de uma banda, que tinha tocado no Rock in Rio, as meninas do vocalista cabeludo/bonitinho, os caras de que era foda/diferente, fui ouvir e gostei, vi uns clipes e fui gostando mais, eles tocaram aqui e não pude ir, eu tinha 13 anos em 1991 e nem sonhava em sair de casa, era outra época, eu sei.

Continuei ouvindo e gostando cada vez mais de Faith No More e comecei a ir aos estádios ver o Palmeiras, ainda com meu tio vascaíno que queria que eu torcesse só pro time dele. Lembro de que nos primeiros três jogos o Palmeiras não foi muito bem, empatou um e perdeu dois, contra Mogi Mirim, Catanduvense e a Portuguesa do Dener.

No final de 1992, o Palmeiras ainda estava na fila, mas já mostrava mudanças, o Faith No More havia lançado o Angel Dust, eu fazia um cursinho na Rua Tamandaré, alguns amigos do curso falavam de futebol, outros de música, andava em ambas as turmas e na brincadeira de amigo-secreto pedi o novo LP do Faith No More.

O clipe de Easy passava quase em looping eterno na MTV, ganhei meu LP e ouvia direto, RV, Crack Hitler, Midlife Crisis, Small Victor e Be Agressive eram minhas prediletas, não me importava com quem criticava que o som mudou, mudou sim, quem comprou o ábum por Easy se deu mal, não era mais nada nessa linha, mas o som do Faith No More me agradava cada vez mais.

Eles não vieram ao Brasil divulgar o LP, mas nessa época o Palmeiras é quem dava espetáculo, lembro de ainda no final do curso, no meio de 1993, ter aguentado uma semana dos amigos corintianos se gabando do tal gol porco do Viola, mas foi uma semana só, saímos da fila com goleada, vieram mais títulos naquele ano e no seguinte, fui em jogos memoráveis, via Zinho, Evair, Edmundo, Mazinho, César Sampaio, entre outros destruindo adversários.

1995 não foi o ano do Palmeiras, mas foi anunciado o Philips Monsters of Rock, com Ozzy, Alice Cooper, Faith No More, Megadeth, Therapy, Paradise Lost, Virna Lisi, Rata Blanca e Clawfinger, foi meu primeiro show, um grande festival por R$ 30, ia quem gostava e não apenas os que gostavam e pudessem pagar, mas aí é outra história.

Cheguei cedo, assistia tudo do gramado do Pacaembu, fui lá pra frente na hora do Megadeth, mas tava muito cheio, voltei, insisti de novo pouco antes do Megadeth acabar o show e consegui chegar até a grade, vi o Faith No More, criticamente não foi uma grande apresentação, até com o novo guitarrista que substituía  Jim Martin, mas eu nem estava ligando muito, vi ao vivo e de perto, e cantei junto todas as músicas, até as do recente álbum King for a Day… Fool for a Lifetime.

E é nesse momento que a história do Faith No More cruza com a do Palmeiras, o baixista Billy Gould tocou com a camisa do Verdão. Parecia algo direcionado pra mim, sei que não era, mas eu era fã da banda e aquela era a camisa do meu time de coração. Fiquei maravilhado e jamais esqueci daquela uma hora de show.

Em 1996, o Palmeiras jogou o fino da bola no Paulistão, vi de perto o tropeço na Copa do Brasil e pouco sabia do paradeiro do Faith No More. Fui a outro Monsters of Rock, mas just fo fun, vi Raimundos, Iron, Helloween, entre outras, mas não tinha o FNM, não era a mesma coisa.

Em 1997, o Faith No More lançou o seu último álbum de estúdio e o Palmeiras não ganhou nada.

Aí veio 1998, entre rumores da separação do Faith, que já vinham desde a época da saída do Jim Martin, o  Palmeiras reencontrou o caminho dos títulos com o Felipão, ganhamos a Copa do Brasil e eu tava naquele gelado Morumbi que presenciou o gol incrível de Oséas.

E o Faith No More se separou. Fim. Acabou.

O Palmeiras ganhou a Libertadores em 1999, uma Copa dos Campeões, um Rio-SP…

E caiu para série B do Brasileiro em 2002.

O cenário para fã do Faith No More e torcedor do Palmeiras não era dos melhores.

Mas continuava amando, ouvindo e torcendo pelos dois. O Palmeiras voltou para série A, vi o Mike Patton por aqui em 2005, mas era tudo meio raso.

Em 2008, o Palmeiras ganhou o Paulistão, não consegui ingresso, mas vi num boteco perto do estádio para sentir a emoção.

E em 2009, o que parecia impossível aconteceu, o Faith No More voltou, o que os não-fãs e até alguns fãs intitulavam de turnê caça níqueis mostrou um Faith No More amadurecido, com vontade, parecendo ter saudade de tocar.

Por questões financeiras quase não fui nos shows, mas uma amiga ajudou e fui no Rio, numa quinta-feira e vi o melhor show deles até então, dois dias depois eles tocaram em São Paulo, fui e vi uma apresentação muito boa, mas não estava bem lá na frente, uma por ter a escrota pista VIP e outra por ainda estar extasiado pelo show do Rio.

Aí que o Faith No More manda o incrível grito de Palmeiras, entre vaiais e aplausos eu sou só risos, fico muito feliz, pois novamente a banda demonstra gostar do clube.

O Palmeiras continua na busca por se reencontrar em campo durante 2010, o Faith No More segue fazendo shows.

Aí em 2011 o Faith No More é anunciado como uma das atrações do SWU. Claro que não poderia perder.

Eu, minha esposa e amigos e fomos para Paulínia, no último dia de SWU, entre as atrações revi o Megadeth depois de 16 anos, revi Raimundos pela 12ª vez, vi Stone Temple Pilots, aguentei Alice in Chains e começou Faith No More, um senhor show, “O SHOW”, bem tocado, bem produzido, Mike Patton cantando muito como sempre, presença de palco, muitas palavras em português e o final meio rápido (haveria outro biz, mas foi cortado, não sabe-se ao certo o motivo) e na despedida após os agradecimentos do vocalista Mike Patton, o baixista Billy Gould, aquele mesmo da camisa em 1995, mandou um “e ao Palmeiras também” entre aplausos e risos de Mike Patton.

E onde entra o Marketing nisso?

Após esse longo texto só tenho a finalizar que o Palmeiras não tem, ou tem um departamento muito amador, que não promove o clube, não se associa com quem realmente atrai público, agrega valor, etc…
Fez algumas ações pontuais em administrações passadas, com o skatista Mineirinho, o mesa-tenista Hugo Hoyama, o tenista Flávio Saretta e só, todos já envolvidos com o esporte, que é quase obrigação do clube fazer. Mas tem que acordar, tem que fazer algo voltado aos fãs de outras artes, de outras culturas, como os rivais fizeram, até sem propriedade, já que era muito artificial, como o filme X-Men, com a banda Coldplay, etc… No caminho do rival, por apenas ocasião, o marketing do Palmeiras enviou um kit para um lutador de MMA que está se aproveitando da imagem do clube, só isso, não conhece, não gosta, não sabe de nada.

Faith No More está desde 1995 divulgando Palmeiras, não precisa bancar nada demais, apenas fotos nos jornais, visita ao CT, camisetas, sei lá o que, mas era para ter feito algo.

Antes de terminar fica o registro, que a camisa do Billy Gould e muito que Mike Patton e o Faith No More sabem do Palmeiras foi através de palmeirenses como João Gordo, os irmãos Max e Iggor Cavalera e Derick Green.


Fonte: Alex Rollin

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s