Acervo Veja 1991- Faith no More show em Manaus

Mike Patton: camisa surrada e queda da bateria Robby, nos tempos do grupo e em Manaus : tatuagens e cabelo à Margareth Meneses

fnmamazonia91

SHOW Pauleira na selva
Com uma apresentação empolgante em Manaus, o Faith No More decola para sua primeira turnê pelo Brasil.
Quem foi ao show inaugural da tunê brasileira do Faith No More, no sábado dia 7, em Manaus, constatou que o grupo contraria ponto por ponto as receitas de sucesso do rock dos anos 90. O show do Faith No More não tem figurinos desenhados por Jean-Paul Gauthier, como o Blonc Amhition de Madonna, seu vocalista não tenta arrancar suspiros das fãs usando uma bermuda grudada ao corpo, como Alx Rose, e os integrantes do grupo não fazem exigências extravagantes para aparecer no noticiário, como Prince e suas 200 toalhas no Rock in Rio II.
Mas que ninguém se engane pelas aparências. O Faith No More,que já vendeu 120 000 LPs de seu disco The Real Thing
no Brasil, trouxe ao país um dos shows de rock mais empolgantes dos últimos tempos. que, após uma apresentação no Recife, na quinta-feira passada,segue ainda para mais sete cidades*.A banda é uma das mais mal vestidas da história do rock. Seu vocalista, Mike Patton, canta de touca, bermuda larga e comum a camisa surrada que amarra à cintura, à maneira de alunos de grupo escolar na hora do recreio. Cultuado até meados do ano passado apenas entre os fãs de rock pesado,o Faith No More decolou com clipes parar a MTV americana e um show histórico no Rock in Rio II para uma ascensão fulminante.

* Dia 15 em Brasília; 17 em Belo Horizonte; 18 e 19 em São Paulo: 20 no Rio de Janeiro: 22 em Santo André; 24 em Curitiba; e 27 em Porto Alegre.
nante e é hoje o mais promissor aspirante à galeria de super bandas internacionais. Esse sucesso rápido tem duas explicações. A primeira é que, desde que Prince, no início dos anos 80, sinalizou que o futuro da música pop estava na fusão entre o rock e os ritmos negros, poucos grupos realizaram tão bem essa combinação quanto o Faith No More. A segunda é que, além de contar com músicos competentes, o grupo tem um vocalista endiabrado. No show de Manaus, Mike Patton pulou, dançou.imitou assombração, se fingiu de morto, cantou em pé, senta-do e deitado, se esparramou sobre a platéia do gargarejo, equilibrou-se sobre os pratos da bateria, despencou de lá, machucou a perna, saiu carregado e ainda voltou com acorda toda para o bis — ou seja, fez por merecer os 55 000 dólares por show que o grupo espera arrecadar na turnê brasileira.
PIRANHAS NO IGARAPÉ

Com seu desempenho elétrico e pose de galã desajeitado, Patton agrada a um só tempo aos tis de rock heavy metal e ao público jovem feminino. Graças a isso, e apesar de o Faith No More não conta com um número considerável de sucessos nas emissoras de rádio, a empatia da banda é tanta que parece que todas as músicas do show — e não apenas o rap-rock
Epic e o cover do Black Sabbath War Pigs
estavam em primeiro lugar nas paradas da Amazônia.Os integrantes do grupo querem usufruir ao máximo seus quinze minutos de fama no  país. No Amazonas, se embrenharam pelo mato, apavoraram o empresário ao mergulhar, de madrugada, num igarapé cheio de piranhas. e o baterista Mike Bordin jura que aprendeu a conversar com os jacarés. Peripécias à parte, o grupo deve deixar marcada sua passagem pelo Brasil não pelas aventuras no mato, mas pela ótima música que toca.
GABRIEL DE LIMA, de Manaus
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O Menudo metaleiro
Uma vez Menudo. sempre Menudo. Aos 21 anos, Robby Rosa, que estilhaçou o coração das adolescentes brasileiras em cinco turnês à frente do grupo.entre 1985 e 1987. bem que tentou se desvencilhar do estigma. Cultivou uma cabeleira parecida com a da cantora Margareth Meneses. tatuou as mãos e os braços e formou uma banda pop. o Maggie’sDream, que abre os shows do Faith No More. Na estréia, Robby tentou posar de metaleiro. chacoalhando as vastas melenas. Não deu certo. As gatinhas de Manaus. loucas por um Menudo. vaiaram. Os fãs de heavy metal também. Irritado, Robby foi embora antes do programado, não sem antes cometer a grosseria de baixar as calças para a platéia, e ser chamada de Bicha pela platéia entre outros elogios que vieram a calhar.

Fonte : Acervo  Revista Veja

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